segunda-feira, 26 de julho de 2010

POR NÃO ESTAREM DISTRAÍDOS (Clarice Lispector)

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.



"RECORDAÇÕES DAS FÉRIAS"


sexta-feira, 16 de julho de 2010

PROCURA-SE ESPERANÇA DESESPERADAMENTE


"Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa."

Tati Bernardi


Precisa dizer mais alguma coisa?!?!?!
Pareçe q estou com os pés e as mãos atadas, não consigo andar em frente, simplismente parei no tempo.Confuso demais isso.
- Deus cadê a luz que tanto te peço?
- Sera que vc ta me mostrando e eu q não estou enxergando? :S
-Tenha paciência comigo tah!
...

EVOLUA!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Amanhã? quem sabe?!?!


"Eu não queria ir embora e esperar o dia seguinte. porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enrroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum aquilibrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.”

Tati Bernardi




Problemas sempre vem a tona, eu mais uma vez quero fingir que nada aconteçe nessa minha vida, Coraaaaaaaaagem mirelle!
Fé em Deus seeeeeeeempre!

Beijo!



domingo, 11 de julho de 2010

Ser Mãe!


“Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes.

Eu não tinha roupas manchadas.

Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.

Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe eu limpava minha casa todo dia.

Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe eu não me preocupava

se minhas plantas eram venenosas ou não.

Imunizações e vacinas eram coisas nas quais eu não pensava.

Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos.

… eu dormia a noite toda …

Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções.

Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.

Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.

Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança só por não querer afastar meu corpo do dela.

Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor.

Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida.

Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim.

Eu não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo.

Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto.

Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança.

Eu não imaginava que algo tão pequenino

pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem.

Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe.

Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.

Por tudo e apesar de tudo só posso agradecer por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada por permitir-me ser Mãe!”

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Solidão


" Minha força está na solidão.Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro de noite" (Clarice Lispector)


Lendo essas palavras, o mais impressionate, porém, não é a ideia de que minha força possa estar na solidão, e sim que eu tenha me acostumado com isso.

Saia de casa.Vá à festa.Ao bar. Ver gente, dizem.Não sendo possível existem entorpecentes ao alcance da mão: a televisão solidária, um livro, um toque no celular com uma nova mensagem de texto. Amizades ligth.

E a solidão, aquele monstro, fica ali no canto de olhos meio vidrados, se esquecendo de rosnar.

Mas e se minha força estiver na solidão e eu estiver por pura tolice, confundindo heróis e vilões?

Afinal, eu também sou o escuro da noite.Eu também sou o que sobra em casa depois que todo mundo saiu e o que sobra na cidade depois que todo mundo foi dormir.Eu também sou isso , o silêncio que existe de dentro para fora, como algo que se alastra, que transforma até o ruído externo numa coisa sem sentido.Eu também sou eu apenas, eu só.E mais nada nem ninguém.Também sou a voz que ninguém ouviu.

É preciso grande humildade para coabitar comigo, para não ter medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, e não camuflá-las com autoajuda.Mas só tenho como ser o claro do dia sendo, também, o escuro da noite.Do contrário a minha vida é rasa e os meus sentimentos, pequenas pérolas falsas.Dito de outro modo: só tenho como acompanhar e me fazer acompanhar se descriminalizar em mim a solidão.